quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O advogado

De manhã, novamente em défice de horas de sono porque sim, porque tenho que mudar de vida e já não tenho paciência pra mim e não-sei-quê, acordo e já estou no chão para a habitual bateria de abdominais. Ora, em vez de começar a dar-lhe vem-me isto: “tenho mesmo a mania de justificar os actos das pessoas”. Pronto, já vou começar a reflectir, e agora e agora, eu quero é fazer abdominais, que merda pá. E fico a pensar que consumo imensidões de tempo nesta gaita desta mania. Que não descanso enquanto ora construo ora desconstruo mentalmente as atitudes das pessoas e cá no meu mundinho acho quase sempre que consigo explicar porque é que isto ou aquilo aconteceu assim ou assado. Quanto melhor conheço a pessoa pior é porque há mais matéria para relacionar, atribuir razão, processar. Nesse processo específico não me interessa o valor porque não julgo as acções, o que me preocupa é a lógica subjacente. Sou daqueles chatos que entendem que tudo tem uma razão de ser e que até os gostos não só se discutem como se explicam. Nunca percebi se isto me acontece por uma questão de natureza, por educação, ou por influência profissional. De quando em vez sou confrontado pelas minhas pessoas que se admiram de eu gastar tempo nisto, como se de um disparate se tratasse. Ficam enfadadas e não me passam cartão. Não sabem que mais me admiro eu de elas não se incomodarem em saber o porquê, não das coisas, mas das pessoas. Desconfio que daria um excelente advogado. De defesa. Ou do diabo.

E agora tenho que ir ali dormir menos de cinco horas, não sem antes vos deixar com a melhor parte: o que é que eu queria dizer com este texto? Nada, não queria dizer rigorosamente coisa nenhuma, foram minutos de absoluta inconsequência. Tenham todos um resto de noite. Sinto-me mais ou menos e isso é indiferente e eu detesto a indiferença, pelo que me sinto, afinal de contas, mal. Começo a frase a sentir-me mais ou menos e três palavras depois já concluo que na verdade me estou a sentir mal. Percebem, isto mói.  



14 comentários:

Vanessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel disse...

Seria um advogado bonzinho e implacável. Não sei o que é que isto quer dizer.

Vanessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel disse...

Não me dês ideias. Estava tão sossegado.

Vanessa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
bluesy traveler disse...

O Miguel paga-me em alcool para eu deixar comentários no blog dele.
Cardhu Reserva Especial.

bluesy traveler disse...

O Miguel é bom tipo. Tá um bocado danificado, mas meninas, vão por mim: vale muito a pena.
E sabe fazer bilros!

bluesy traveler disse...

E macramé!!! Tenho lá um tapete na casa de banho que ele me deu, todo em pesponto, que é um luxo. Mão santas.

bluesy traveler disse...

O meu whisky?

bluesy traveler disse...

O Miguel é chato.

bluesy traveler disse...

Abaixo o Miguel.

bluesy traveler disse...

Basta de Miguel.

bluesy traveler disse...

Basta!Pum!Basta!

bluesy traveler disse...

Com duas pedras de gelo, tá bem?
Grata.